Ahh.. a sensação de estar em um veículo real no conforto de sua casa! Volantes, manoplas, painéis de botões e diversos outros. Uma lista de itens para incrementar sua simulação!
Atualizado em 21/04/2026
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Todo entusiasta por simuladores, seja de quais tipos forem — corridas, aviação, veículos pesados, entre outros — quase sempre começou da mesma forma: utilizando teclado e mouse, os periféricos do dia a dia, para seus momentos de entretenimento.
Com o passar do tempo, aquilo que era apenas uma brincadeira começa a se tornar algo mais sério. À medida que você entende melhor a dinâmica dos simuladores, começa a perceber limitações claras no controle, na precisão e principalmente na imersão. É nesse momento que surge a vontade de investir em equipamentos que aproximem a experiência do mundo real.
Você está neste ponto? Então este artigo é para você. Aqui vamos explorar, de forma progressiva, como evoluir seu setup de simulação — desde o básico até níveis mais avançados.
Níveis de evolução do setup
Antes de entrar nos equipamentos em si, é importante entender que a evolução de um setup não acontece de uma vez só. Ela segue etapas naturais, tanto por questão de orçamento quanto de adaptação do próprio usuário;
- Nível 1: volante e pedais — o primeiro grande salto de imersão
- Nível 2: câmbio manual — introdução do controle real de marchas
- Nível 3: suporte/cockpit e controles adicionais — organização e realismo operacional
- Nível 4: monitores e áudio — expansão da percepção sensorial
- Nível avançado: refinamentos e equipamentos especializados
Essa progressão evita gastos desnecessários e permite que cada upgrade realmente seja sentido na prática.
Itens Essenciais: comece pelo volante
Falando de simulação de veículos pesados (OMSI 2, Proton Bus Simulator, Euro Truck Simulator 2), mas também válida para simuladores como BeamNG.drive, Assetto Corsa e iRacing, o ponto de partida é sempre o mesmo: um bom volante.

O volante é o elemento central da simulação. Ele define como você interage com o veículo, como percebe peso, curvas, correções e estabilidade. Em resumo: é ele que transforma a experiência de “jogar” em “dirigir”.
No mercado, os modelos mais conhecidos continuam (2026) sendo os da Logitech. Com excelente relação custo-benefício, boa compatibilidade com praticamente todos os simuladores e manutenção acessível, são a escolha mais recomendada para quem está iniciando.
Modelos como G27 (já mais raro), G29 e G920 continuam sendo amplamente utilizados, enquanto o G923 se tornou o sucessor direto da linha, mantendo a proposta e trazendo melhorias pontuais na resposta de força.
Para quem está começando, esses modelos ainda representam a melhor porta de entrada. São confiáveis, funcionam bem com praticamente todos os simuladores e têm manutenção acessível — algo importante no longo prazo.
Com a evolução do mercado, no entanto, surgiram novas opções para quem busca níveis mais altos de realismo: fabricantes como a Moza Racing passaram a evoluir seus ecossistemas com foco além das corridas, trazendo novidades específicas para outros tipos de simulação.
Um dos principais exemplos disso é o desenvolvimento de volantes dedicados para veículos pesados dentro dessas plataformas. O modelo TSW Truck Wheel, por exemplo, foi projetado especificamente para simuladores de caminhões (e ônibus), com diâmetro de 400 mm — padrão muito mais próximo de veículos reais — além de design de quatro raios e ergonomia pensada para esse tipo de condução.
Além do formato físico, os comandos também foram adaptados: o volante conta com botões, thumbwheels e joysticks com funções voltadas para simulação de transporte, permitindo controlar diversos sistemas diretamente no volante, algo muito mais alinhado com a operação real .
É importante destacar que esse tipo de volante não funciona de forma independente. No caso do modelo da Moza Racing, ele foi desenvolvido para operar dentro do ecossistema da própria fabricante, exigindo uma base Direct Drive compatível para seu funcionamento completo.
Para quem já utiliza equipamentos de outras marcas, existem alternativas como o Moza Hub, que permite a adaptação e integração com diferentes bases, embora com possíveis limitações de compatibilidade e funcionalidades dependendo da combinação utilizada.
Isso representa uma mudança importante no mercado. Até pouco tempo atrás, a simulação de veículos pesados era feita quase sempre com volantes pensados para carros de passeio, o que limitava a fidelidade da experiência.
Agora, com equipamentos projetados especificamente para esse tipo de uso, é possível alcançar um nível de imersão muito mais próximo da realidade, não apenas pela precisão do sistema, mas principalmente pela ergonomia, escala e forma de interação.
O Câmbio Manual não pode faltar!
Apesar da evolução dos câmbios automáticos no mundo real, o cenário brasileiro ainda mantém uma forte presença de veículos manuais, especialmente em aplicações urbanas e operacionais. Isso torna o câmbio manual um elemento extremamente relevante na simulação.

Claro que é possível utilizar os Paddle Shifters (as “borboletas” do volante) já presentes nestes modelos para simular um câmbio “Manual Sequencial” na grande maioria dos simuladores (inclusive nosso amigo Zane já publicou aqui um tutorial sobre no OMSI2, leia-o clicando aqui). Porém, essa abordagem limita a experiência, principalmente em veículos que exigem controle mais preciso de torque e rotação.
Uma alavanca de câmbio física (shifter) muda completamente a forma de dirigir. Ela introduz ritmo, timing e técnica, que são elementos essenciais na condução de veículos pesados.
Quem possui um Logitech G27 já conta com esse acessório. Para G29, G920 e G923, o Logitech Driving Shifter é a opção mais comum, funcionando de forma simples e direta.
Com ele, é possível simular transmissões manuais de até 6 marchas + ré. Para simulações mais complexas, como caminhões com caixa alta e baixa, existem soluções com botões adicionais integrados à manopla. Clique aqui e veja uma dessas opções, para customização do Logitech Driving Shifter (Addon). Lembrando que existem outros addons no mercado, e também empresas especializadas em fabricação sob encomenda desse tipo de customização!
Botões, botões e mais botões: Teclados e Button Boxes
Mesmo com volante, pedais e câmbio, o teclado e o mouse continuam presentes no setup. Eles ainda são úteis para navegação, menus e algumas funções secundárias.
Porém, conforme a simulação evolui, o número de comandos aumenta, e depender do teclado começa a quebrar a imersão. É aqui que entram os button boxes: esses dispositivos funcionam como painéis de controle dedicados, podendo incluir botões, chaves, seletores e até componentes inspirados em veículos reais.
Na prática, eles permitem mapear funções como:
- Abertura e fechamento de portas
- Freio de estacionamento
- Iluminação interna e externa
- Sistemas auxiliares do veículo
Isso transforma a simulação em algo muito mais próximo de uma operação real, especialmente em ônibus e caminhões.



Alguns tipos de addons como Button Boxes e até mesmo painéis completos com freio de estacionamento, chave e botões já são amplamente comercializados, com opções que variam desde kits básicos até soluções completas para simulação profissional.
A escolha ideal depende do nível de imersão desejado, do espaço disponível e do orçamento, sendo possível começar com soluções mais simples e evoluir gradualmente para setups mais completos.
Suporte e cockpit: estabilidade faz diferença
No início, prender o volante diretamente na mesa pode ser suficiente. Porém, conforme a simulação evolui, começam a surgir limitações claras: vibração excessiva, desalinhamento, falta de conforto e dificuldade de manter uma posição consistente durante a condução. É nesse ponto que entram os suportes dedicados e cockpits.
Essas estruturas têm como principal função garantir estabilidade e ergonomia, permitindo que volante, pedais e câmbio permaneçam firmes mesmo em situações de uso mais intenso. Isso é especialmente importante em setups mais avançados, onde a força aplicada pelo equipamento é significativamente maior.
Além disso, um suporte bem ajustado melhora diretamente a precisão da condução, já que elimina folgas e movimentos indesejados durante curvas, correções e frenagens.
Outro ponto extremamente importante, e muitas vezes ignorado, é a compatibilidade: nem todo suporte serve para qualquer volante ou base. Modelos mais simples, como os da linha Logitech, funcionam bem na maioria das estruturas disponíveis no mercado. Porém, ao migrar para setups mais avançados, principalmente com bases Direct Drive, é fundamental verificar se o suporte ou cockpit foi projetado para suportar esse tipo de equipamento.
Bases DD aplicam forças muito maiores, exigindo estruturas mais rígidas, com fixação adequada e materiais mais resistentes. Utilizar um suporte inadequado nesse cenário pode comprometer não apenas a experiência, mas também a durabilidade do equipamento.


Exemplos de Cockpits projetados para uso com o Logitech G29: SGT, da Extreme Simracing, e V1, da Veloce Cockpit.
Por outro lado, nem tudo depende de soluções prontas: com um pouco de criatividade, é totalmente possível construir seu próprio suporte ou cockpit em casa. Existem diversos exemplos disponíveis, desde projetos simples até estruturas bastante completas.
É comum encontrar soluções utilizando madeira, estruturas metálicas, encanamentos de PVC e até peças desenvolvidas em impressão 3D. Muitos desses projetos contam inclusive com plantas de montagem e instruções detalhadas, facilitando bastante o processo. Além de reduzir os custos, esse caminho permite adaptar o setup exatamente às necessidades específicas (simulação, espaço, ergonomia, entre outros).



Alguns modelos de Projeto para Cockpit com Canos de PVC disponíveis em detalhes na internet. As imagens acima são de projetos do usuário COCKPITPILOTBR no Mercado Livre, cujos manuais detalhados podem ser adquiridos clicando aqui. Além destes, existem muitas outras personalizações e dicas de montagem, principalmente no YouTube.
Um ponto interessante nas soluções customizadas é que, na simulação de veículos pesados, elas podem até oferecer vantagens em relação a suportes convencionais: o próprio usuário pode definir o ângulo de fixação da base do volante, inclinando-o de forma mais próxima da posição real de ônibus e caminhões, o que melhora significativamente a ergonomia e a imersão.
No fim, a limitação deixa de ser o equipamento e passa a ser apenas a criatividade.
Monitores e campo de visão
O monitor é um dos elementos mais subestimados da simulação, e ao mesmo tempo um dos mais impactantes. O tamanho da tela, a distância até o usuário e o campo de visão (FOV) influenciam diretamente na percepção de profundidade, velocidade e escala.
Um monitor pequeno ou mal posicionado pode comprometer toda a experiência, independentemente do restante do setup. Por isso, não se trata apenas de “ter uma tela grande”, mas sim de posicioná-la corretamente. Hoje, setups com monitores ultrawide ou múltiplas telas são cada vez mais comuns, pois ampliam o campo de visão e aumentam a sensação de imersão. No entanto, mesmo com uma tela simples, é possível obter uma experiência muito mais realista com o ajuste correto de FOV.
O FOV (Field of View, ou Campo de Visão) define quanto do ambiente virtual você enxerga na tela. E aqui está o ponto mais importante: ele precisa ser configurado com base na distância real entre você e o monitor, e não simplesmente “no que parece melhor”.
Quando o FOV está incorreto:
- objetos podem parecer maiores ou menores do que deveriam
- distâncias ficam distorcidas
- a sensação de velocidade muda
- a posição de condução perde realismo
Já com o FOV ajustado corretamente, a imagem na tela passa a representar o mundo virtual na mesma proporção que você enxergaria na vida real, respeitando escala e perspectiva.

Na prática, isso significa que o monitor deve ocupar, visualmente, o mesmo espaço que um “recorte do mundo real” ocuparia à sua frente. Por isso, quanto mais próximo e maior o monitor, maior tende a ser o FOV configurado — e vice-versa.
É importante lembrar que o FOV não é fixo: ele deve ser recalculado sempre que houver mudança no tamanho da tela ou na distância em que você se posiciona dela.


Exemplo de ampliação da área útil do simulador em proporção 21:9, na resolução 2560 x 1080 (monitor Ultrawide). FOV da câmera interna deve ser ajustado sempre de acordo com a distância física entre o monitor e o usuário. Modelo por: Modelize.
Existem calculadoras específicas que ajudam nesse processo, utilizando medidas como tamanho do monitor, resolução e distância do usuário para definir o valor ideal – como a FoV Calculator 2021, que você pode utilizar gratuitamente clicando aqui.
Um segundo guia extremamente detalhado sobre FOV é o do MrPix. Está em inglês e cheio de termos nerds, mas vale a tradução e uma lida caso queira entender melhor a matemática envolvendo o FOV – clique aqui para ler.
Áudio: um detalhe que muda tudo
O áudio é frequentemente negligenciado, mas tem um impacto enorme na imersão. Um bom sistema de som ou headset permite perceber nuances importantes da simulação, como:
- Som do motor em diferentes rotações
- Trocas de marcha
- Ruídos de freio e suspensão
- Ambiente externo
Em simuladores de veículos pesados, esses elementos fazem parte da condução e ajudam a antecipar ações. Mais do que o equipamento, a forma como o som é distribuído faz diferença. Caixas de som posicionadas à frente, próximas ao monitor, tendem a oferecer uma sensação mais natural de direção do áudio. Já o headset isola o ambiente externo e permite maior foco, sendo ideal para locais com ruído ou uso prolongado.
Ergonomia: conforto também é parte da simulação
Por fim, o conjunto de itens que completam a ergonomia do setup. Simular veículos envolve longos períodos sentado, com movimentos repetitivos e concentração constante. Sem um setup adequado, isso pode gerar desconforto — ou até problemas físicos com o tempo.
É fundamental garantir:
- Boa posição de assento
- Distância correta do monitor
- Altura adequada do volante
- Apoio confortável para braços e pernas
Uma cadeira adequada ou um assento de cockpit pode fazer tanta diferença quanto um upgrade de hardware. E aqui também há espaço para soluções criativas: de cadeiras gamers a assentos de carro.
Quem define a melhor combinação é… você!
O objetivo deste artigo foi apresentar caminhos para evoluir sua simulação de forma progressiva e consciente.
Não existe um setup perfeito universal. Existe o setup que melhor se adapta à sua realidade, ao seu espaço, ao seu orçamento e ao nível de imersão que você deseja alcançar.
Cada etapa de evolução traz ganhos reais. E, quando bem planejada, transforma completamente a experiência.
